Mostrando postagens com marcador SAÚDE INFANTIL. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SAÚDE INFANTIL. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Sono X crianças com autismo


Distúrbios do sono são muito comuns nas crianças com o Transtorno do Espectro Autista



O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição que afeta o neurodesenvolvimento do indivíduo. Caracteriza-se por dificuldades na interação social, na comunicação e por comportamentos ou interesses res- tritos e repetitivos. Em cada um, apresenta-se de forma diferente. Mas um sintoma, em especial, é bem comum em cerca de 80% das crianças com TEA: a dificuldade para adormecer e manter um sono de qualidade.

A neurologista infantil, neurofisiologista clínica e membro da Associação Brasileira do Sono, Letícia de Azevedo Soster, explica por que o distúrbio do sono é tão prejudicial para as crianças com TEA. “O desenvolvimento e a maturação neuronal, a construção de sinapses e a poda cerebral acontecem no período do sono. Portanto, essa fisiologia do desenvolvimento pode ficar ainda mais comprometida com o sono de má qualidade”, alerta. “Há consequências também físicas: o GH, o hormônio do crescimento, é liberado principalmente na primeira metade do sono. Se a criança tem o sono entrecortado, também essa liberação será minimizada”.

Soster explica que os distúrbios do sono são tanto de natureza orgânica como comportamental. “Do ponto de vista homeostático, notamos que a criança com TEA ou não gasta muita energia ou, se gasta, fica mais alerta, como se estivesse habituada a viver com o cansaço”. Outra hipótese, já confirmada em alguns estudos, é que algumas crianças com TEA têm uma redução na produção de melatonina – um hormônio produzido pela glândula pineal, localizada no cérebro, cuja função é regular o ritmo biológico do corpo e estimular o sono no período noturno. A neuropediatra aponta, ainda, outros fatores que podem levar aos distúrbios do sono. Um deles é a apneia obstrutiva do sono, causada principalmente pelo relaxamento dos tecidos da faringe e da base da língua, o que altera a respiração durante o sono. O outro tem base comportamental: “Sentir sono é uma sensação aversiva. Frente a ela, há quem tente ir contra e o resultado é a dificuldade de adormecer”.


Independentemente da causa que resulta no distúrbio do sono em crianças com TEA, os reflexos no comportamento são claros: irritabilidade, aumento da agressividade, da agitação e dificuldade de regulação emocional, entre outras manifestações. “É importante destacar que, embora os distúrbios do sono sejam altamente prevalentes em crianças, não é incomum que eles persistam na adolescência e na vida adulta, especialmente quando a causa é comportamental. É por esta razão que os pais devem ficar atentos aos sinais e compartilhar a dificuldade com o sono com os profissionais que já atendem a criança. A abordagem interdisciplinar é eficiente para minimizar os impactos que acabam por afetar toda a família”, completa Soster.


Sinais de que a criança com TEA pode sofrer com distúrbio do sono

Confira os principais sinais:

Durante o dia:

  • A criança pode ter dificuldade em se manter fazendo uma tarefa. A falta de sono compromete o foco.
  • Acorda mal-humorada e se mantém assim ao longo do dia? Este é um sinal importante.
  • A irritabilidade é evidente, assim como uma maior agressividade. Há uma baixa tolerância à frustração.
  • A agitação é outro sintoma que precisa ser considerado. Pode ser uma reação para ‘driblar’ a sonolência, uma sensação aversiva para alguns.

Durante à noite:


  • A criança tem dificuldades ou resiste em adormecer.
  • Se a criança ronca enquanto dorme, pode ser um importante sinal de alguma dificuldade respiratória.
  • Note se a respiração é ruidosa ou trabalhosa.

Observe, ainda, se a respiração é feita pelo nariz ou pela boca, neste caso, pode indicar que há algum problema.

Normalmente, a criança com distúrbio do sono acorda diversas vezes durante o sono ou se mexe excessivamente.


Sobre a Associação Brasileira do Sono

https://www.instagram.com/absono/

Fundada em Agosto de 1985 com o nome Sociedade Brasileira do Sono, a instituição congrega todos os profissionais brasileiros que estudam sono, incluindo desde áreas experimentais básicas, Biólogos, Técnicos de Polissonografia, Fisioterapeutas, Fonoaudiólogos, Psicólogos, Odontologistas e Médicos. A associação é fundamentalmente desde sua origem multidisciplinar e a lista de especialistas que participam da sociedade não para de crescer.

Com o passar dos anos a sociedade se adaptou aos desafios e, desde 2005, passou a se chamar Associação Brasileira do Sono (ABS). Agrega também sob o mesmo teto e com direção compartilhada as sociedades co-irmãs: Associação Brasileira de Odontologia do Sono (ABROS) e Associação Brasileira de Medicina do Sono (ABMS), ambas criadas para atender necessidades específicas de dentistas e médicos.

A ABS é reconhecida mundialmente. A associação promove inúmeras atividades, incluindo cursos, reuniões com a sociedade civil e com os gestores de políticas públicas, além de promover diálogo constante com a sociedade sobre os mais diversos temas relacionados ao sono. A Associação Brasileira do Sono é responsável também pelo periódico cientifico Sleep Science, revista publicada em inglês com reconhecimento mundial, recebendo artigos científicos originais de todas as partes do planeta.

As regionais do sono estão presentes em 22 estados do Brasil.


***

Quadros decorativos com inspiração em Autismo




sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Queda na vacinação infantil preocupa em período de volta às aulas presenciais


Laboratório Hermes Pardini alerta para necessidade de cumprir calendário previsto para as crianças


A aproximação do fim do ano por si só já chamaria a atenção dos profissionais de saúde para a necessidade de colocar o calendário de vacinação em dia antes de pegar a estrada ou o avião nos feriados de novembro ou para as viagens de férias, Natal e Réveillon. Mas em um ano de pandemia, o período exige ainda mais cuidado. Isso porque o índice de vacinação, que já vinha registrando queda nos últimos anos, caiu ainda mais. De acordo com dados do PNI, o Programa Nacional de Imunizações, a meta anual é vacinar de 90 a 95% das crianças no Brasil. De janeiro a julho de 2020, no entanto, o índice não passou de 61%.

“O coronavírus fez com que as pessoas desviassem a atenção e esquecessem de outras doenças que circulam pelo país e podem ser facilmente evitadas através da vacinação. Embora seja normal que, por receio de sair de casa, isso tenha ficado um pouco de lado, é preciso atualizar o calendário. Principalmente porque estamos na flexibilização do isolamento social e as escolas começam a retomar as atividades in loco”, explica a Dra. Melissa Palmieri, coordenadora médica de vacinas do Grupo Pardini.

Para voltar gradualmente à rotina, a especialista alerta que algumas vacinas são fundamentais. Entre elas:

Rotavírus, que previne contra tipos de rotavírus, causadores de diarreia e desidratação especialmente em crianças.

Tríplice viral (SCR - Sarampo, Caxumba e Rubéola), indicada a partir de 1 ano de vida. Atualmente o Programa Nacional de Imunizações está recomendando uma dose extra entre 6 e 12 meses de idade devido à circulação do vírus em todo território nacional com risco de acometer os bebês com formas graves ou até mortes.

Vacinas combinadas como hexavalente e pentavalente, que protegem contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae b, hepatite B e poliomielite inativada.

Febre Amarela, para todos os brasileiros a partir de 9 meses de vida.

Além disso, para quem pretende viajar no verão, é recomendado verificar, com antecedência, se a região do Brasil ou o país que visitará exige medidas extras de proteção e cuidado. “Certifique-se de que o local de destino não tem nenhuma doença de ocorrência usual ou algum surto epidêmico”, afirma a Dra. Melissa. Para quem tem dúvidas, vale procurar um médico de confiança ou ir a um serviço de vacinação público ou privado e pedir para que um profissional de saúde avalie a carteirinha. “Na maioria dos casos, é importante que a vacina seja realizada de 10 a 15 dias antes da viagem. É o tempo necessário para a produção de anticorpos”, acrescenta a médica do Pardini antes de destacar as principais vacinas recomendadas no período:

VACINA DE TÉTANO

Feriados e férias são o período em que as pessoas saem da zona de segurança, fazem atividades que não estão acostumadas, tentam algum esporte novo, exploram locais diferentes e, portanto, o risco de um acidente com ferimento em pele e exposição ao tétano fica muito elevado. "A vacina contra o tétano normalmente está em dia até a adolescência. Depois, as pessoas esquecem de fazer os reforços recomendados de 10 em 10 anos. Assim, passam férias e momentos de lazer sob um risco que poderia ser facilmente evitado", explica a doutora.

HEPATITE A

A vacina de hepatite A também é importante. Como o vírus é transmitido pela ingestão de água e alimentos contaminados, os casos da doença podem aumentar no verão. O vírus da hepatite A pode, ainda, se alojar no gelo. "Alguns especialistas relatam que nesta temperatura de congelamento o vírus já foi detectado até um mês depois da contaminação. Outros falam em meses. Portanto, aquela raspadinha na praia ou a caipirinha com gelo podem representar um perigo à saúde de quem não está imunizado,” afirma a especialista do Pardini.

FEBRE AMARELA

Atualmente todo o território nacional virou área de risco para a recomendação da vacina de febre amarela e o Certificado Internacional de Vacinação contra a doença é exigido na entrada de diversos países. Vale se informar sobre a necessidade da vacina com a embaixada do local de destino ou no site da Anvisa. A vacinação pode ser feita em postos de saúde ou serviços de imunização privados autorizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. "O viajante não pode esquecer que essa vacina deverá ser realizada em até 10 dias antes da viagem internacional", ressalta a médica.

FEBRE TIFOIDE

Você pode nunca ter ouvido falar dela, mas a doença infectocontagiosa é comum na América Latina, Oceania, África e sul da Ásia. "Trata-se da infecção por um dos tipos da bactéria salmonela e é transmitida por alimento e água contaminados”, explica a Dra. Melissa. Está mais presente em áreas com condições precárias de saneamento, higiene pessoal e ambiental. A vacina é recomendada para quem viaja a regiões onde a incidência é alta.

MENINGITE TIPOS ACWY e B

A vacinação contra a meningite é de extrema importância, não tanto pela incidência da doença, mas pela gravidade e alto índice de letalidade. “Sem o tratamento adequado, ela pode levar à morte em menos de 24 horas”, alerta. “Se você vai viajar para regiões afastadas, com pouca ou nenhuma estrutura de saúde, reservas naturais, vilarejos, ilhas, etc, não há porque correr risco. É melhor tomar a vacina antes”.

ZIKA, DENGUE E CHIKUNGUNYA

O período de chuva associado ao calor beneficia a proliferação do Aedes aegypti. O mosquito está presente em todo o país, mas existem cidades e regiões que são mais afetadas. Se for viajar para essas áreas, use repelente e reforce a aplicação ao amanhecer e ao entardecer, já que ele costuma picar nesses períodos. Vale destacar que a vacina contra a dengue só é feita em pessoas anteriormente infectadas, visando proteger das formas graves da doença. Ela está disponível nos serviços privados para o público entre 9 e 45 anos. São recomendadas 3 doses (0, 6 e 12 meses).

***

domingo, 1 de novembro de 2020

Aumento de casos de estresse entre crianças preocupa especialistas

Dores abdominais, cefaleia e crises de ansiedade estão entre os sintomas do problema, alerta Hospital São Camilo de São Paulo




Com o prolongamento do isolamento social, especialistas alertam para o agravamento de um problema que têm impactado a saúde física e mental das crianças: o estresse. A procura por atendimentos nos prontos-socorros infantis da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo tem aumentado para casos de dores no peito, abdominais, cefaleia e crises de ansiedade, sintomas que estão relacionados às manifestações do chamado “estresse tóxico”.

O termo utilizado entre os especialistas é designado para casos mais frequentes, em níveis mais altos, exigindo uma resposta do organismo por tempo prolongado, o que pode ser muito prejudicial à saúde de maneira geral. “Se a criança não encontra, no seu ambiente, os recursos de adaptação suficientes para vivenciar uma situação nova, o estresse se torna nocivo”, explica a pediatra da Rede Dra. Vivian Oliveira.

Quando pensamos neste conceito, aplicado à pandemia, em que não apenas as crianças, mas também os adultos precisaram se adaptar a um novo cenário cercado de incertezas, o problema fica ainda mais evidente.

A psiquiatra do Hospital São Camilo Dra. Aline Sabino destaca que a mudança drástica na rotina e, em muitos casos, o impacto econômico decorrente da pandemia afetaram a saúde mental de todos, deixando a criança mais vulnerável.

Para eles, a falta da escola, do convívio com amigos, as brincadeiras coletivas, tudo isso foi suspenso sem uma data definitiva para terminar. “Até mesmo os mais velhos, que são capazes de entender melhor o que acontece no mundo, ainda assim suas vidas foram diretamente impactadas”, afirma a psiquiatra, destacando a importância da socialização para o desenvolvimento saudável das crianças.

Dra. Vivian complementa ainda que “cada criança é única e pode ser afetada em determinado momento, ou seja, independentemente da idade, o isolamento, confinamento e/ou distanciamento social vão impactar os pequenos de alguma maneira”.

Sinais de alerta

Como identificar se isso está acontecendo na sua família? A pediatra destaca alguns dos principais sinais de alerta:

1- Alteração no apetite, quando a criança perde o interesse pela comida preferida, ou quer comer muito mais do que o habitual.

2- Regressão, quando hábitos e comportamentos já aprendidos passam a se manifestar de novo, como xixi na cama, por exemplo.

3- Alterações gastrointestinais, quando a criança passa a ter episódios de constipação.

4- Variações de humor e inquietação, com momentos de tristeza e raiva.

5- Dependência maior dos pais e cuidadores, quando a criança sente mais necessidade de atenção do que o habitual.

Uso excessivo de telas

Para a Dra. Aline, o maior desafio para as famílias é encontrar meios de estabelecer uma rotina saudável no contexto atual. “Percebemos, por exemplo, que as crianças ficaram mais expostas aos dispositivos tecnológicos de telas e mídias, o que pode gerar uma série de problemas secundários à saúde dos pequenos”, complementa a pediatra.

Adriana Saavedra, fonoaudióloga da Rede São Camilo, destaca, por sua vez, que, embora as tecnologias sejam extremamente importantes e positivas, o uso imoderado pode favorecer dificuldades de comunicação, já que a criança não precisa expressar-se verbalmente para conseguir o que deseja ou o que está sentindo.

A especialista ressalta os reflexos deste excesso, que podem impactar até mesmo a qualidade do sono.

“As expectativas de receber mensagens, checar a atualização de redes sociais ou terminar a fase de um jogo de videogame, por exemplo, têm sido citadas como prejudiciais para o sono, ainda mais em decorrência da luz azul, que irradia dos equipamentos eletrônicos e interferem na produção de hormônios que nos ajudam a relaxar e nos deixar sonolentos para dormir”, frisa.

Além disso, conforme destaca a Dra. Vivian, passar muito tempo utilizando eletrônicos eleva os riscos do sedentarismo e, consequentemente, à obesidade, bem como pode potencializar atrasos no desenvolvimento cognitivo e alterações sociais, com redução da interação direta entre a criança e seus familiares e/ou cuidadores.

No entanto, compreendendo que o momento requer medidas de adaptação, as especialistas entendem que se torna mais difícil estabelecer limites saudáveis em relação ao uso das tecnologias.

“Um período não pode ser rotulado ou estipulado de maneira geral. O ideal é que quanto menos melhor, e de acordo com a rotina da criança e da família”, explica a fonoaudióloga.

A pediatra reforça a importância desse cuidado, já que, usadas de forma inadequada e abusiva, as tecnologias podem ocupar o espaço de atividades importantes para o desenvolvimento infantil, como a interação face a face, o tempo familiar de qualidade, brincadeiras ao ar livre, exercícios físicos e, até mesmo, tempo de inatividade e ócio criativo.

Saúde auditiva

Quando pensamos em eletrônicos, não podemos desconsiderar a importância do cuidado com o uso de fones de ouvidos.

A recomendação da fonoaudióloga é de que os fones sejam usados com moderação, além de manter o volume total dos equipamentos do ambiente abaixo da metade, evitando uma exposição auditiva prolongada.

Ela lembra que os pais devem estar atentos para sinais como falta de atenção, irritação e inquietação, que podem estar relacionados a uma dificuldade auditiva. “Problemas na fala também podem se apresentar, correlacionados a uma dificuldade auditiva, o que afeta a aprendizagem e o desenvolvimento da leitura e escrita, fatores que podem se destacar durante este período de aulas virtuais”, completa.

Rede de Hospitais São Camilo

A Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo é composta por três hospitais modernos na capital, nos bairros da Pompeia, Santana e Ipiranga, e um em Cotia, acreditados pela Joint Commission International (JCI), Himss e Qmentum Diamante.

As unidades prestam atendimentos de emergência e eletivos em mais de 60 especialidades, cirurgias de alta complexidade e transplantes de medula óssea, além de oferecerem cerca de 800 leitos e um quadro clínico de mais de 4,3 mil médicos qualificados.

Os quatro hospitais privados da Rede subsidiam as atividades de outras 40 unidades administradas pela Sociedade Beneficente São Camilo e que atendem pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde) em 15 estados brasileiros. No Brasil desde 1922, a Sociedade Beneficente, que pertence à Ordem dos Ministros dos Enfermos, fundada por Camilo de Lellis, conta ainda com 25 centros de educação, dois colégios e três centros universitários.

Siga o Hospital São Camilo nas redes sociais: @hospitalsaocamilosp


Assista nossos Programas